13/10/2021

Trabalho feito por colaboradores da Concremat Ambiental é apresentado no 5º Congresso Brasileiro de Avaliação de Impacto

Os colaboradores da Concremat Ambiental Rafael Pontes, Camila Mattedi, Nayra Gomes, Ricardo Furtado e Maria Josefina Reyna Kurtz são os autores do artigo técnico “Monitoramentos de efeito de borda: uma abordagem integrativa de avaliação dos impactos de empreendimentos lineares em áreas florestais”. O trabalho foi selecionado para integrar a grade de apresentações do 5º Congresso Brasileiro de Avaliação de Impacto, realizado entre 11 e 15 de outubro, em formato virtual.

No trabalho, a equipe da Concremat Ambiental detalha a magnitude do impacto decorrente da supressão de vegetação sobre fauna, flora e fatores abióticos através do estudo integrado destes componentes em um empreendimento linear que atravessou 3 biomas em 5 estados.

“Na implantação de empreendimentos lineares, os impactos estão associados ao desmatamento de uma longa faixa florestada que ocasiona, sobretudo, aumento do efeito de borda. Embora possa haver uma regeneração natural após a implantação, as estruturas ecológicas podem não voltar às condições semelhantes ao original. Os programas ambientais atualmente utilizados para monitoramento de fauna e flora neste tipo de empreendimento não avaliam a dimensão do impacto, uma vez que seus desenhos amostrais não são concebidos para avaliação correta, gerando, muitas vezes, listas de espécies sem relação com os impactos do empreendimento. O objetivo do Programa de Monitoramento do Efeito de Borda foi avaliar a magnitude do impacto decorrente da supressão de vegetação”, explica o analista ambiental e biólogo Rafael Cunha Pontes.

O especialista acrescenta que foram definidas Áreas Amostrais (AA) em blocos florestais que seriam alterados pela obra. Cada AA foi dividida em Módulos Amostrais perpendiculares à diretriz, nos quais foram instaladas as Unidades Amostrais (UA). Estas, instaladas paralelas e em distâncias pré-definidas a partir da linha do empreendimento, alocaram as armadilhas de fauna, pontos de coleta de dados de flora e medidas abióticas. As diferentes distâncias nas quais foram instaladas as UAs permitiram um cenário comparativo entre tratamento (50 m da interferência) e controle (no interior do fragmento, a 400 m da interferência). Logo, foi possível traçar comparações temporais e espaciais através deste desenho.

“Por meio de uma campanha realizada antes da alteração, obteve-se um baseline em relação às demais campanhas para acompanhar a regeneração subsequente e a redução, ou não, do efeito de borda. As variáveis de fauna e flora foram analisadas de maneira integrada e com diferentes discussões para espécies dependentes de áreas florestadas das demais, além dos fatores abióticos mais suscetíveis na identificação do efeito de borda. A análise integrada com todas as variáveis construiu um panorama dos componentes avaliados que experimentaram o efeito de borda após a supressão, bem como a regeneração das áreas previstas para tal”, analisa.

Como resultado de três anos de estudo, foram observadas relações entre as variáveis estudadas, como flutuações nos dados florísticos proporcionais às variações abióticas, além dos dados de pequenos mamíferos em resposta às alterações vegetacionais. Foi possível ainda identificar as espécies da fauna mais afetadas pela interferência por meio de captura e recaptura entre as estações amostrais.

“Foi possível, ainda, reconhecer que o grau de antropização crescente, a partir do início das obras, foi o maior impacto associado aos fragmentos estudados, em detrimento da abertura da faixa. Isto é, mesmo nos trechos onde a regeneração da faixa era prevista, a ação da população, identificada como impacto indireto do empreendimento, interferiu negativamente na recuperação dos impactos diretos”, observa Rafael.

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